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domingo, 22 de março de 2015

Transplante de cabelo



A alopecia androgenética (queda de cabelo geneticamente determinada) é a mais frequente causa de queda de cabelo no homem e uma das principais causas na mulher. Afecta apenas o cabelo da região superior da cabeça, mantendo-se o cabelo intacto de lado e atrás. O que herdamos é o receptor para a hormona masculina (esta última existe em homens e mulheres). No homem há um recuo da linha anterior de implantação do cabelo. Na mulher esta linha permanece mantida, mas observando-se progressiva redução de densidade na parte superior da cabeça.
Dada a limitação do tratamento médico, encontraram-se formas de resolver cirurgicamente o problema. Os primeiros transplantes para minorar a alopecia androgenética efetuaram-se há meio século. A técnica evoluiu muito nos últimos anos.
 Desde há dez anos a técnica que realizamos chama-se FUT (Transplante de Unidade Folicular). Retiramos cabelo de áreas nas quais o cabelo não cai (área dadora), habitualmente sob a forma de uma fina tira de pele ou folículo a folículo. Os cabelos da tira são cortados de forma microscopicamente controlada. Realizam-se micro-orifícios na área em que queremos melhorar a densidade de cabelo. Finalmente, introduzem-se os folículos contendo uma unidade folicular em cada orifício. O cabelo transplantado cai entre o 1º e 2º mês. Renasce entre 3º e 4º mês, dura toda a vida, e tem um aspecto natural.

            
Aspeto ao fim de 2 anos pós transplante em homem

Aspeto ao fim de 2 anos pós transplante em mulher
 

Uma história clínica cuidada é fundamental. Doenças como diabetes, hipertensão e discrasias hemorrágicas deverão estar controladas. A intervenção dura em média 4 ou 5 horas, após as quais o doente vai para casa. Os efeitos adversos comuns são um inchaço nas pálpebras que ocorre entre o 2º e 6º dia pós transplante e pequeníssimas crostas que se notam no local de cada folículo implantado durante 15 dias.
Com a técnica actual é possível efectuar sessões de mais de 1500 cabelos implantados. É importante a espectativa ser adaptada à realidade. Uma sessão de transplante melhora muito a densidade mas nunca permitirá a densidade de cabelo normal, já que redistribuímos cabelo de uma área pequena para uma bastante maior (ao nascer temos no couto cabeludo cerca 150.000 folículos). A incapacidade para compreender a limitação do método deve ser causa de exclusão. O resultado é tanto melhor quanto maior for a espessura do cabelo e a densidade da área dadora. Quanto mais precoce se efectuar a intervenção menos impacto terá na imagem (o máximo impacto ocorrerá numa fase em que já não existam cabelos na área recetora). A técnica é particularmente interessante na mulher, em que habitualmente não há áreas totalmente despovoadas, e na qual o reforço da área dos 2 ou 3 cm anteriores pode ter um efeito magnífico. No homem com alopecia androgenética, são espectáveis, durante uma vida, três sessões: uma para reforço anterior, uma de reforço posterior, e uma que une ambas áreas. Um facto interessante é que o resultado final pós transplante vai melhorando até 2 anos após o procedimento. Nos homens não se pode ceder à tentação de colocar a linha anterior muito à frente, sob pena de parecer pouco natural numa fase mais adiantada da vida.
Por outro lado, o transplante de cabelo também permite corrigir as cicatrizes determinadas por doenças inflamatórias do couro cabeludo desde que a doença não esteja ativa (ver alopécia cicatricial), bem como cicatrizes provocadas por traumatismos, por tumores, por intervenções cirúrgicas, por radioterapia, infeções, acne, etc.
O transplante permite restaurar também pelo em outras zonas que não o couro cabeludo. É frequente fazermo-lo na área das sobrancelhas (escolhendo-se para tal cabelos da área supra-auricular) bem como em cicatrizes da área da barba. No transplante de sobrancelhas o ponto crucial para um bom resultado é a inclinação que damos aos folículos (mimetizando a natural). Finalmente, é possível conjugar transplante (zona anterior) com prótese (zona posterior) com bom resultado cosmético.


Dr. Rui Oliveira Soares